Quando falta tempo,
em vão, eu tento
breve contato
breve alento
mente e corpo fechados
em descontentamento
Por Renato S. Borges, em 16:31 | | Jukebox:
Confiança é um prato que se come frio. Não posso confiar nos meus próprios atos, então não me venha com chorumelas, pois sou incapaz de confiar em alguém. Qualquer alguém e todo alguém que não seja um qualquer. Na verdade, quanto mais sentimento menos confiança. É o óbvio sempre presente do subjuntivo. Sou capaz de confiar em quem não tem o que mentir, em quem a verdade pouco me importa. E tu, como tudo que te diz respeito, muito me importa. Tua verdade me tem valor e, triste paradoxo, por isso mesmo me acalora desconfiança. Não sei mentir, então está é a verdade, que ainda sou capaz de pronunciar.
(...)
Outro dia sonhei contigo, velho amigo.
Éramos como antes, sempre breves.
Escasso o tempo de encontros.
Sonho tão bom e vertiginoso.
Acordou-me de súbito.
Rendeu-me não rara apneia.
Pode pensar ser balela.
Mas sinto e não sinto saudades.
Por Renato S. Borges, em 21:13 | | Jukebox:
Como eu seria lembrado caso morresse hoje? Ou, ainda mais importante, quão o seria? É nisso que se sustenta toda existência, o desejo inebriante pela imortalidade. Ninguém quer se tornar herói pela glória do ato, todos querem a lembrança do mesmo ecoando por toda eternidade que o tempo permitir. Não se salva uma pessoa ou o mundo, salva a si mesmo com a manutenção de sua existência, mesmo que póstuma. Viver além da vida! É assustador o vazio que carrega este ‘sentido’ de existência.
Serei jamais uma página eterna nesses catálogos de humanidade. Sequer consigo me eternizar em vida. Talvez eu nem mesmo seja lembrado. Algumas memórias, de fato, não mereciam gravação. Por vezes acordo com um desejo latente de salvar o mundo, cada dia mais doente aos meus olhos. Por mais vezes ainda durmo com um sentimento que estou cada vez mais distante da cura, não para o mundo, mas a cura de mim. Talvez a doença sejam os meus olhos no mundo.
Por Renato S. Borges, em 00:30 | | Jukebox:
Telegrama
Não me venhas com ‘mea culpa’
Tampouco tentes forjar sorrisos
Quero que nunca me despendas ódio
E que salves de mim todo aleive
Que não se esqueças que alimentei sorrisos
Apazigüei o pranto e acalentei o corpo
Uma disritmia deveria jamais subjugar
O tecido de forma tão doce
Um abraço...
Por Renato S. Borges, em 22:19 | | Jukebox:
Viagem. Do latim: viaticu. Longa jornada. Deslocamento entre meios distantes. Etecétera e etecétera. Viagem? Ponto de partida? Ponto de chegada? O caminho que os liga? De que consiste uma viagem? Do que se deixa pra trás? Do que se anseia conseguir? Nem me arrisco perguntar da saudade...
Por Renato S. Borges, em 01:27 | | Jukebox:
Sinceridade. Deviam servir no café da manhã, em forma de cereal. Seria de raro deleite, tamanha parcimônia de seu uso. Nada disseminada entre os jovens, só encontra abrigo nos escassos feixes de lucidez nas margens de um asilo. Encham-me de mentiras. Já estou a explodir.
Por Renato S. Borges, em 19:54 | | Jukebox:
Sento-me à varanda e olho para o passado. Há um mundo de constelações desaparecidas, outras tantas por sumir. Não há mais esperança, só vejo estrelas solitárias, brilhos – não tão – eternos de um contentamento qualquer. Apago-me aos poucos, adormeço.
Por Renato S. Borges, em 23:25 | | Jukebox:


