Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Quando falta tempo,
em vão, eu tento
breve contato
breve alento
mente e corpo fechados
em descontentamento


Por Renato S. Borges, em 16:31 | | Jukebox:




Quinta-feira, Julho 09, 2009

Confiança é um prato que se come frio. Não posso confiar nos meus próprios atos, então não me venha com chorumelas, pois sou incapaz de confiar em alguém. Qualquer alguém e todo alguém que não seja um qualquer. Na verdade, quanto mais sentimento menos confiança. É o óbvio sempre presente do subjuntivo. Sou capaz de confiar em quem não tem o que mentir, em quem a verdade pouco me importa. E tu, como tudo que te diz respeito, muito me importa. Tua verdade me tem valor e, triste paradoxo, por isso mesmo me acalora desconfiança. Não sei mentir, então está é a verdade, que ainda sou capaz de pronunciar.

(...)

Outro dia sonhei contigo, velho amigo.
Éramos como antes, sempre breves.
Escasso o tempo de encontros.
Sonho tão bom e vertiginoso.
Acordou-me de súbito.
Rendeu-me não rara apneia.
Pode pensar ser balela.
Mas sinto e não sinto saudades.


Por Renato S. Borges, em 21:13 | | Jukebox:




Quinta-feira, Abril 30, 2009

Como eu seria lembrado caso morresse hoje? Ou, ainda mais importante, quão o seria? É nisso que se sustenta toda existência, o desejo inebriante pela imortalidade. Ninguém quer se tornar herói pela glória do ato, todos querem a lembrança do mesmo ecoando por toda eternidade que o tempo permitir. Não se salva uma pessoa ou o mundo, salva a si mesmo com a manutenção de sua existência, mesmo que póstuma. Viver além da vida! É assustador o vazio que carrega este ‘sentido’ de existência.

Serei jamais uma página eterna nesses catálogos de humanidade. Sequer consigo me eternizar em vida. Talvez eu nem mesmo seja lembrado. Algumas memórias, de fato, não mereciam gravação. Por vezes acordo com um desejo latente de salvar o mundo, cada dia mais doente aos meus olhos. Por mais vezes ainda durmo com um sentimento que estou cada vez mais distante da cura, não para o mundo, mas a cura de mim. Talvez a doença sejam os meus olhos no mundo.


Por Renato S. Borges, em 00:30 | | Jukebox:




Segunda-feira, Março 02, 2009

Telegrama

Não me venhas com ‘mea culpa’
Tampouco tentes forjar sorrisos
Quero que nunca me despendas ódio
E que salves de mim todo aleive
Que não se esqueças que alimentei sorrisos
Apazigüei o pranto e acalentei o corpo
Uma disritmia deveria jamais subjugar
O tecido de forma tão doce
Um abraço...


Por Renato S. Borges, em 22:19 | | Jukebox:




Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Viagem. Do latim: viaticu. Longa jornada. Deslocamento entre meios distantes. Etecétera e etecétera. Viagem? Ponto de partida? Ponto de chegada? O caminho que os liga? De que consiste uma viagem? Do que se deixa pra trás? Do que se anseia conseguir? Nem me arrisco perguntar da saudade...

Por Renato S. Borges, em 01:27 | | Jukebox:

Poemonário


transcendental

adj. 2 gén.,
transcendente.


transcendente

do Lat. transcendente

adj. 2 gén.,
teu amor por mim;
meu amor por ti;
o teu e o meu amor;
nosso amor;

Filos.,
você;
eu;
você e eu;

Mat.,
nós dois;

s. m.,
Filos.,
eu, você e o amor: incapazes de coexistir;
nosso amor não é transcendental;
não somos incapazes de vivê-lo;
transcendental é o amor;
incapaz de viver eu e você.


“o ser cuja existência não é demonstrada pela experiência porque a ultrapassa, mas que é necessário para compreender a nossa experiência;”


Por Renato S. Borges, em 01:26 | | Jukebox:




Segunda-feira, Novembro 10, 2008

Sinceridade. Deviam servir no café da manhã, em forma de cereal. Seria de raro deleite, tamanha parcimônia de seu uso. Nada disseminada entre os jovens, só encontra abrigo nos escassos feixes de lucidez nas margens de um asilo. Encham-me de mentiras. Já estou a explodir.

Por Renato S. Borges, em 19:54 | | Jukebox:




Domingo, Outubro 05, 2008

Sento-me à varanda e olho para o passado. Há um mundo de constelações desaparecidas, outras tantas por sumir. Não há mais esperança, só vejo estrelas solitárias, brilhos – não tão – eternos de um contentamento qualquer. Apago-me aos poucos, adormeço.

Por Renato S. Borges, em 23:25 | | Jukebox:




Quarta-feira, Outubro 01, 2008

"I'd give my body to be back again
(...) To be alone with you"


Por Renato S. Borges, em 22:58 | | Jukebox:




Sexta-feira, Agosto 01, 2008

"All this talk of getting old"

Não pertenço a esse mundo
Tampouco o mundo me pertence
Então busco alguém que
Assim me queira, como pertence
Objeto inócuo e inanimado
Apenas para livrar-me o fardo

“Guarda-me na estante”
“Exiba-me como um enfeite”
Num desprazer constante
O contraste do deleite
Sorriso, bonito em demasia
Suficiente para esconder o silêncio

Cala-te boca
Cala-te mente
Calou-me, o mundo

rsb 01-08-2008


Por Renato S. Borges, em 11:22 | | Jukebox:




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